Menopausa Aos 49: Guia Completo

Aos 48 anos, comecei a me sentir muito diferente. Era como se o meu corpo não fosse mais meu. Noites carregadas de suor, uma irritabilidade fora do normal e um cansaço que me fazia adiar tudo o que julgava não ser importante. E nessa hora, quase tudo “não era importante”.

Assim nasceu esse guia completo, baseado na minha difícil jornada e em fontes médicas, para desmistificar o climatério, a pré-menopausa e te dar passos práticos para recuperar o controle.

Com 49 anos, hoje, posso garantir que ao buscar todas as informações possíveis e ser capaz de reuni-las aqui pra você, foi a melhor decisão que tomei. Afinal, praticar a empatia me faz ser quem eu realmente sou, mesmo em meio ao caos.

Entendendo a Fundo a Transição: Climatério vs. Menopausa

Quadro Informativo Sobre o Climatério
As fases do Climatério

Para esclarecer melhor todo o contexto do nosso assunto, vou explicar o que significa cada termo tão ouvido por nós, à partir dos 40.

  • Climatério (A Jornada Completa): é o antes, durante e depois da menopausa. Basicamente, é o período de transição hormonal que começa antes da última menstruação e se estende por mais alguns anos até uma “estabilização” do novo organismo feminino. Engloba, portanto, a pré-menopausa, perimenopausa, menopausa e pós-menopausa.

Como técnica de fruticultura, vejo o Climatério como o ciclo de poda da vida: uma fase longa e necessária, onde as velhas energias se preparam para dar lugar ao novo.

  • Pré-Menopausa e Perimenopausa (O Caos Hormonal): esta é a fase da oscilação intensa, onde os sintomas começam. A Pré-menopausa é todo o período que antecede a menopausa. A Perimenopausa é a parte mais intensa, onde enfrentamos a oscilação devido à queda das taxas hormonais. É aqui que você sente que a montanha-russa emocional começou. Claro que varia muito de mulher para mulher, mas é a parte mais desafiadora da transição.
  • A Menopausa (O Evento Final): finalmente, a tão falada, mas não tão bem esperada. A última menstruação. No entanto, a confusão persiste: enquanto essa “última menstruação” não completar 12 meses consecutivos de ausência, ela não é considerada Menopausa. Sim, os hormônios adoram brincar nesse período, abalando nossa paz mental. Mas calma.
  • Pós-Menopausa (O Novo Normal): depois dos infames 12 meses, entramos na Pós-menopausa. Nesta fase, a queda hormonal se estabiliza. Não significa que todos os sintomas se foram, mas sim que o corpo estabeleceu um novo normal. Temos a nova jornada de nos adaptarmos a essa mudança.

Os Sintomas que Nos Silenciam. (E O que Fazer com Eles)

De repente, a gente se olha no espelho e não se reconhece mais. É o momento em que um milhão de “como, por quês” começam a ferver a nossa mente. Eu me questiono, e entrei num looping de buscar explicação para todas as sensações que percebo.

Como mulher, às vezes acordo pensando no que o meu marido está pensando sobre o que está acontecendo comigo, por exemplo. Parece confuso, né?

Outros dias, analiso minuciosamente meu corpo. Como será o verão? Eu moro na praia. Como estarei num biquini? Lá vou eu de volta: 49 anos. O tempo passou. É como se existissem várias idades: a cronológica, a da minha mente e a do meu corpo.

Inúmeras dúvidas. Inúmeros desejos diferentes. Uma vontade de viver mais intensamente cada instante. Porém, um silêncio absurdo, porque o que vão dizer se eu resolver falar sobre tudo o que estou pensando, sentindo e questionando?

Onde o Estrogênio Faz Mais Falta

Depois dos 40, nós obrigatoriamente somos empurradas a saber o significado de tantas coisas que não dávamos a menor importância. Hormônios, são um claro exemplo disso. Usamos métodos contraceptivos hormonais, mas a maioria de nós não se atenta ao que realmente significam.

Um dos principais hormônios femininos, é o estrogênio. Com a queda natural dele no nosso organismo, o ciclo menstrual se desregula, o crescimento do endométrio— que é uma das camadas do útero— gradativamente diminui, e a nossa lubrificação vaginal e a elasticidade dos tecidos íntimos são prejudicadas influenciando diretamente nosso desejo sexual. Lidar com todo esse desconforto não é tarefa fácil.

Ainda encaramos as ondas de calor (famosos fogachos), suores noturnos e ganho de peso abdominal. Eu tenho driblado os suores à noite com um banho quase frio usando sabonetes frescos menos cremosos como os de glicerina, ar condicionado e ventilador, ou janelas abertas. Muita água também é essencial.

Quanto ao peso, mudei completamente a alimentação. Diminuí o açúcar que é algo que eu tenho enorme dificuldade para equilibrar. Cortei óleos vegetais, carboidratos refinados, e foquei no mais natural possível. Caminhadas na orla da praia têm um efeito positivo gigante em todas as áreas.

A Montanha Russa Emocional

Se as mudanças físicas são visíveis, as emocionais são um verdadeiro desafio silencioso. A queda do estrogênio afeta diretamente os neurotransmissores do nosso cérebro, que são responsáveis por regular o humor.

Por isso, muitas de nós enfrentam uma fase de grande vulnerabilidade emocional. Os sintomas mentais mais comuns incluem:

  • Irritabilidade e mudanças súbitas de humor;
  • Ansiedade e preocupação excessiva;
  • Dificuldade de concentração e o temido “nevoeiro mental”;
  • Insônia, que piora todos os outros sintomas.

A Perda de Identidade: O mais difícil é a sensação de não se reconhecer mais no espelho e na vida. Essa transição hormonal frequentemente coincide com a fase do ninho vazio e a redefinição de carreira, intensificando a sensação de perda de identidade e propósito.

Mitos e Verdades sobre Tratamentos

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Atenção: Este conteúdo é puramente informativo e baseado em estudos e diretrizes médicas. Ele jamais substitui a avaliação e a consulta com o seu ginecologista. A decisão sobre qualquer tratamento deve ser individualizada.

TRH Clássica vs. A Abordagem Integrativa (Hormônios Bioidênticos)

Você já ouviu falar em TRH, com certeza. Mas vou te trazer algumas informações que ajudarão a entender e levantar as questões necessárias, para você conversar melhor com seu médico, pois a TRH é o tratamento mais eficaz para diversos sintomas.

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é o tratamento mais estudado para a menopausa, todavia também o mais cheio de mitos.

TRH Clássica

Benefícios Comprovados

  • Ondas de Calor e Suores Noturnos: a TRH é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves.
  • Saúde Óssea: É indicada para prevenir a osteoporose e reduzir o risco de fraturas, especialmente em mulheres de alto risco.
  • Saúde Íntima: É o tratamento ideal para combater o ressecamento vaginal e a atrofia.

A “Janela da Oportunidade”

  • Diretrizes como as da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) mostram que os benefícios superam os riscos se a terapia for iniciada na chamada “janela da oportunidade” (geralmente antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos de menopausa).
  • O risco de problemas cardiovasculares ou câncer de mama é baixo ou nulo se a paciente não tiver contraindicações e começar no tempo correto.
  • Se a TRH for iniciada tardiamente ou em pacientes com histórico familiar ou pessoal de certos tipos de câncer, os riscos aumentam significativamente. Somente um médico pode avaliar seu caso.

Para se aprofundar mais no assunto, consulte as diretrizes oficiais da FEBRASGO sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e Menopausa.

Medicina Integrativa e a Reposição Hormonal Personalizada

A Medicina Integrativa não se caracteriza como uma prática alternativa, mas como uma abordagem abrangente que considera a mulher de forma integral — contemplando corpo, mente e estilo de vida. Ela associa os recursos da medicina convencional, incluindo a Terapia de Reposição Hormonal, a terapias complementares, como nutrição, suplementação e práticas voltadas ao bem-estar.

Dentro da medicina integrativa, muitos médicos preferem usar os chamados hormônios bioidênticos (ou Hormônios Manipulados) —estrutura química idêntica aos nossos.

Esse é o caminho que algumas mulheres, como Selma Maria, 50, empresária, encontrou para uma reposição mais personalizada e com uma percepção de menos efeitos colaterais. Sua afirmação é “como sempre busquei por uma qualidade de vida mais natural, evitando ao máximo alimentos industrializados muito processados, preferi essa alternativa e tenho me adaptado muito bem”.

IMPORTANTE: A FEBRASGO adverte que, embora eficazes, os hormônios manipulados (bioidênticos) podem não ter a segurança e a absorção testadas em grandes estudos como os medicamentos industrializados.

O Essencial: Suplementação (D e Cálcio) e o Poder da Atividade Física

Dentro da Medicina Integrativa, a nutrição, a suplementação e as práticas de bem-estar são aliadas importantes para atravessar o climatério com mais equilíbrio e vitalidade. A alimentação passa a ter um papel de cuidado profundo, ajudando a regular os hormônios de forma natural, fortalecer ossos e proteger o coração.

Quando bem orientada, a suplementação complementa o que o corpo já não produz na mesma medida, oferecendo suporte para energia, humor e memória. Nesse caso é importantíssima a inclusão de Cálcio e a vitamina D, que é constante em defasagem no organismo feminino independente da idade.

E as práticas de bem-estar — como o movimento corporal, a meditação, a respiração consciente e o descanso de qualidade — atuam como pilares de sustentação emocional e física, ajudando a mulher a se reconectar com o próprio corpo e a viver essa fase com mais leveza e presença.

A personalização na Medicina Integrativa é o fator chave, pois somos diferentes. Um profissional que olhe para você como uma pessoa “única”, fará a diferença que deve fazer.

Você viu que o climatério é uma jornada de autoconhecimento. E você? Qual foi o sintoma emocional ou físico mais desafiador que você enfrentou na transição dos 40? Compartilhe sua experiência nos comentários e inspire outras mulheres! Até a próxima.

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